Falso advogado é preso em Canaã



Eli Ferreira da Costa usava a carteira com os números finais ‘171’ e  até participou de audiências se passando por advogado. Homem foi preso em flagrante ao fazer protocolo de um processo e assinar como advogado

Foto: Momento da prisão

Não se sabe ao certo se Eli Ferreira da Costa é um romântico sonhador ou um autêntico trambiqueiro tentando se dar bem na vida ao enganar os outros. O homem começou a trabalhar em Canaã dos Carajás há cerca de seis ou sete meses e deu entrada em vários processos durante o período. Ninguém, no entanto, desconfiava que Eli não passava de um falsário e não possui o registro oficial para o exercício da profissão.

Processos em que ele atuava

Por ironia ou completa falta de noção, o falsário utilizava para o “trabalho” a carteira da OAB de número 10171. Os três últimos dígitos, 171, compõem o registro do crime de estelionato no código penal brasileiro.

Malandramente, Eli 171 fazia um protocolo de uma petição na manhã desta quarta-feira (11), no Fórum Municipal de Canaã, quando, por coincidência, foi identificado que o número da OAB apresentado por ele não correspondia com a numeração real. Conforme explicou o delegado Jorge Carneiro, diante do fato, o juiz foi chamado e a falsidade foi constatada pelo magistrado. O criminoso foi preso em flagrante e conduzido à Delegacia de Polícia Civil do município.

“Para a população fica o conselho de que, quando for contratar qualquer profissional, engenheiro, advogado, deve se verificar no conselho respectivo se existe ou não o registro dele por lá e se ele realmente está apto a exercer aquele função. Nesse caso, informalmente, ele confirmou que comprou a carteira” afirmou o delegado. De acordo com Jorge Carneiro, as informações sobre local de compra e preço da carteira falsa ainda não podem ser divulgadas, já que são objetos da investigação.

Presidente da OAB em Canaã, a advogada Josemira Gadelha comentou o fato: “Nós tínhamos essa pessoa se passando por advogado e estava lesando as pessoas aqui em Canaã dos Carajás, recebendo ações, fazendo protocolos e até audiências. Mas na verdade ele era um falso advogado. Apuramos isso e, de fato, ele não consta no quadro da OAB. Acredito que ele será enquadrado no crime de estelionato e no de exercício ilegal da profissão.”

A presidente explicou que o número da carteira do falsário era inferior ao dela, ou seja, teria sido registrado antes, sendo que Eli chegou ao município há pouco tempo. Segundo ela, as investigações teriam começado a partir daí, até o descobrimento do crime.

Eli, romântico sonhador ou autêntico trambiqueiro, segue preso e aguarda agora decisão da justiça.



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